Sobre términos e começos

15/03/2015

Alice abriu a porta do seu apartamento, tudo no mais perfeito silêncio, vazio. acabara de chegar da balada. As amigas a chamaram pra "comemorar" o fim do namoro.
Ricardo a deixou há duas semanas, ainda havia vestígios de seu perfume na cama, no travesseiro, que eventualmente Alice abraçava pra compensar sua falta.
 Tirou os sapatos e os arremessou no meio da sala, se jogou no sofá e tentou lembrar de alguma coisa da sua noite. Fazia tempo que a garota não bebia. Disse coisas que não deveria para pessoas que não deveriam ouvir, dançou, flertou com alguns estranhos, em resumo, concluiu, que havia se divertindo bastante. Mas estranhamente ela se sentia vazia por dentro. Pra falar a verdade não via graça nenhuma em sair pra beber,  odiava a ressaca que já previa vir no dia seguinte.
Começou a pensar no por qual motivo as pessoas insistiam em parecer felizes mesmo quando não estavam. Para as amigas, Alice não sentia falta do Ricardo, ela estava feliz solteira. Afinal agora poderia curtir com elas, ir todo final de semana na balada, ficar com qualquer cara bonito que aparecer. Mas Alice não sentia assim, pra ela ainda havia um buraco enorme em seu peito, que demoraria a ser preenchido iria precisar de muito sorvete, comédias românticas e noites seguidas usando seu pijama de flanela cor-de-rosa. Este era usado pela garota quando estava na pior, geralmente quando um familiar falecia. Pra ela houve uma morte. A morte do seu amor pelo garoto que a acompanhou durante o último ano. Mas não foi uma morte que veio do nada, igual uma parada cardíaca, foi uma morte que chegou de mansinho, sem ela nem perceber, se instalou pouco a pouco e consumiu todo o sentimento que ambos tinham, até que um dia, já na UTI, o amor entrou para o obituário. 
O amor, engraçado, ela pensava, como as pessoas o consideravam a base de um relacionamento. Para Alice, o mais importante era o respeito. Afinal o que adianta amar, quando um não se importa com o outro? Mas o respeito acaba. O amor Também! 
As lágrimas escorriam em seu rosto, o apartamento nunca esteve tão solitário, tão triste. 
Conseguiu reunir forças para tomar um banho, e se arrastar para sua cama. Assim que repousou a cabeça em seu travesseiro travesseiro sua mente se encheu de perguntas... Lembrou de todas as vezes que chorou, ali deitada no mesmo lugar, olhando a mesma vista que via de sua janela. Quando sentiu que mais lágrimas chegariam, ela não conseguiu liberá-las. Acho que já chorou sua cota, talvez não tenha mais o que chorar. Talvez o fim tenha sido melhor para os dois. O fim de um ciclo, é sempre o início de uma nova etapa.

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4 comentários, comente também aqui.
  1. Resumindo meu comentário: SOU ALICE ♡
    Que lindo Gabi, OLOCO. Acho que na vida, não importa a idade, sempre vai ter um pouquinho de Alice quando um Ricardo se vai. Amei seu texto!

    Bjoxxx no estilo Hoboken baby.

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    Respostas
    1. Com certeza todas somos um pouco Alice e sempre vai haver um Ricardo por aí ne?
      Que bom que gostou
      Obrigada! Beijos no estilo Hoboken ♡

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  2. Caraca, descreveu o sentimento tãaao bem!! É bem assim que acontece mesmo.
    Estou amando seu blog. Abraços ♥
    48janeiros

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